O início de um novo ano é sempre visto como uma época de renovação. É uma excelente altura para fazer um balanço e renovar o ânimo para novos projectos profissionais e pessoais. É verdade que já passou um mês desde o início do ano, mas o novo ano chinês ainda nem começou. O importante é o estado de espírito.
Deixo, por isso, algumas ideias para 2010.
Será um ano complicado para Portugal e para os portugueses. Já o foi 2009, com a "crise" a complicar a vida de muitas famílias, o encerramento de empresas, o aumento do desemprego, o aumento das taxas de juro... Ainda por cima foi ano de eleições, o que apesar de necessário para a renovação da democracia, traz consigo gastos desnecessários avolumados. Quanto a eleições, o caminho escolhido pelo Governo deu os seus frutos, assim como a inacção da oposição directa, resultando num velho Governo fragilizado e numa Assembleia da República muito fracturada. Esperam-nos, assim, tempos de incógnita. E como sempre, quem sofre é a cultura, a primeira a sofrer cortes nos investimentos.
É, por isso, importante que qualquer iniciativa cultural seja apoiada, estimulada, incentivada, de forma a que o marasmo cultural não suceda ao desincentivo financeiro.
O Noites do Tâmega conheceu algum tempo de inércia, não fruto da censura do Governo (como porventura alguns pensaram), mas antes da falta de tempo que me caracterizou nos últimos tempos (mais dedicado a outros projectos culturais, embora isso não sirva de desculpa). Mas é altura de renovar o ânimo e, por pouco que seja, fazer algo que contribua para incentivar a cultura portuguesa.
Não será, certamente, com a frequência desejada, mas voltarei a deixar mensagens, de divulgação cultural e patrimonial, de pensamentos e divagações políticas e filosóficas, de poesia...
E que o novo ano seja pleno em prosperidade.
domingo, 31 de janeiro de 2010
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Crónicas do Governo - Concurso de professores 2009
Aqui deixo a crónica que será publicada no próximo Ecos da Ribeira. Aborda, uma vez mais, a Educação, que devia ser uma das prioridades do país mas que tem sido, continuamente, instrumentada em virtude de estatísticas e marketing.
Crónicas do Governo – Concurso de Professores
O Ministério da Educação tem sido, nos últimos quatro anos, motivo de grande preocupação e tema para várias crónicas. Se após as Eleições Europeias a atitude do Governo mudou, levando ao recuo ou mesmo demissão de alguns ministros que não se adaptaram à nova imagem pré-eleitoral, aos que pensavam que também na Educação as coisas iam mudar a ministra provou que se mantém igual a si mesma, não se vislumbrando nada de positivo para o fim do mandato, que, para piorar a situação, coincide com o início do ano lectivo.
Saíram recentemente os resultados do concurso de professores para quadro, o que já não acontecia há três anos. O Ministério da Educação vangloriou-se com a colocação de cerca de trinta mil professores nesta primeira fase, anunciando já a colocação de mais cerca de vinte e cinco mil numa segunda fase. Mais uma vez, a prova de que as estatísticas, quando trabalhadas, dizem o que queremos e a tentativa de enganar os portugueses. Passo a explicar.
Primeiro, não podem ser englobadas na mesma perspectiva duas fases de colocação quando na prática são muito diferentes: uma é para efectivar professores, outra apenas para contratar por um ano, que poderá depois ou não ser renovável até um máximo de quatro anos. Segundo, não foram colocados em quadro trinta mil novos professores, pois a grande maioria dos colocados já pertenciam aos quadros, apenas foram deslocados de uma escola para outra. Só algumas centenas correspondem de facto a novos professores efectivos. Terceiro, se já calcularam a necessidade de contratar tantos professores, mesmo antes de saberem quantos horários serão disponibilizados pelas escolas, porque não suprimir já essas necessidades que todos os anos se verificam? Não só reduzia a instabilidade da classe docente como permitia aos professores começarem já a preparar o próximo ano lectivo, com vantagens para todos.
Crónicas do Governo – Concurso de Professores
O Ministério da Educação tem sido, nos últimos quatro anos, motivo de grande preocupação e tema para várias crónicas. Se após as Eleições Europeias a atitude do Governo mudou, levando ao recuo ou mesmo demissão de alguns ministros que não se adaptaram à nova imagem pré-eleitoral, aos que pensavam que também na Educação as coisas iam mudar a ministra provou que se mantém igual a si mesma, não se vislumbrando nada de positivo para o fim do mandato, que, para piorar a situação, coincide com o início do ano lectivo.
Saíram recentemente os resultados do concurso de professores para quadro, o que já não acontecia há três anos. O Ministério da Educação vangloriou-se com a colocação de cerca de trinta mil professores nesta primeira fase, anunciando já a colocação de mais cerca de vinte e cinco mil numa segunda fase. Mais uma vez, a prova de que as estatísticas, quando trabalhadas, dizem o que queremos e a tentativa de enganar os portugueses. Passo a explicar.
Primeiro, não podem ser englobadas na mesma perspectiva duas fases de colocação quando na prática são muito diferentes: uma é para efectivar professores, outra apenas para contratar por um ano, que poderá depois ou não ser renovável até um máximo de quatro anos. Segundo, não foram colocados em quadro trinta mil novos professores, pois a grande maioria dos colocados já pertenciam aos quadros, apenas foram deslocados de uma escola para outra. Só algumas centenas correspondem de facto a novos professores efectivos. Terceiro, se já calcularam a necessidade de contratar tantos professores, mesmo antes de saberem quantos horários serão disponibilizados pelas escolas, porque não suprimir já essas necessidades que todos os anos se verificam? Não só reduzia a instabilidade da classe docente como permitia aos professores começarem já a preparar o próximo ano lectivo, com vantagens para todos.
sábado, 6 de junho de 2009
As eleições europeias

Amanhã é dia de eleições europeias.
Todas as eleições têm a sua importância, mesmo quando umas o parecem mais do que outras. Esta eleição permite-nos eleger os representantes dos cidadãos portugueses na União Europeia.
Desde que Portugal entrou para a UE, conheceu um período de prosperidade como já não havia memória. Os fundos comunitários permitiram aos portugueses atingir um nível económico mais próximo dos seus vizinhos europeus. O fim das fronteiras e a moeda única permitiram uma maior proximidade.
Todas as eleições têm a sua importância, mesmo quando umas o parecem mais do que outras. Esta eleição permite-nos eleger os representantes dos cidadãos portugueses na União Europeia.
Desde que Portugal entrou para a UE, conheceu um período de prosperidade como já não havia memória. Os fundos comunitários permitiram aos portugueses atingir um nível económico mais próximo dos seus vizinhos europeus. O fim das fronteiras e a moeda única permitiram uma maior proximidade.
O Parlamento Europeu é centro de importantes decisões para o quotidiano dos cidadãos dos países membros. Esta é a oportunidade que temos em participar no futuro da nossa sociedade.
domingo, 26 de abril de 2009
35 anos de Abril

Ontem comemorámos 35 anos de liberdade.
Tanto tempo já. Não admira, por isso, que alguns se tenham já esquecido do que era a sua liberdade antes da Revolução dos Cravos e que outros não tenham sequer noção do que ganharam com ela.
No entanto, os resultados da democracia ao longo destes 35 anos levam-nos também a questionar: era isto que os militares pretendiam quando saíram à rua naquele dia?
Hoje vemo-nos a braços com dificuldades económicas e sociais, enquanto se acentua a noção de que a corrupção, tão presente, raramente é punida e, por isso, o sentimento de injustiça.
35 anos.
É altura de a classe política ter uma reflexão séria sobre os valores de Abril. Caso contrário, corremos o risco de aumentarem os saudosistas do regime anterior e, com o tempo, como tem acontecido tantas vezes na história, a democracia ser novamente preterida.
Tanto tempo já. Não admira, por isso, que alguns se tenham já esquecido do que era a sua liberdade antes da Revolução dos Cravos e que outros não tenham sequer noção do que ganharam com ela.
No entanto, os resultados da democracia ao longo destes 35 anos levam-nos também a questionar: era isto que os militares pretendiam quando saíram à rua naquele dia?
Hoje vemo-nos a braços com dificuldades económicas e sociais, enquanto se acentua a noção de que a corrupção, tão presente, raramente é punida e, por isso, o sentimento de injustiça.
35 anos.
É altura de a classe política ter uma reflexão séria sobre os valores de Abril. Caso contrário, corremos o risco de aumentarem os saudosistas do regime anterior e, com o tempo, como tem acontecido tantas vezes na história, a democracia ser novamente preterida.
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25 de Abril,
Revolução dos Cravos
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Vale a pena pensar nisto
Nos últimos dias, os meios de comunicação social têm-nos revelado a destruição deixada pelo recente sismo em Itália, nomeadamente em Àquila e arredores: vilas medievais totalmente destruídas; monumentos de diferentes épocas (incluindo um castelo medieval) que durante séculos se mantiveram incólumes, mesmo passando por diferentes provações (outros terramotos, guerras...), que o tempo transformara já em elementos imprescindíveis na paisagem como se a ela sempre tivessem pertencido.
Num momento tudo desapareceu. Centenas de mortos, uns mais velhos, outros mais jovens, todos com uma vida pela frente.
***
O ser humano habitua-se com facilidade à durabilidade das coisas. Dos bens materiais que passam de pais para filhos; das condições de vida que acha que nunca vai perder; da vida que espera ser longa.
Estes acontecimentos revelam-nos a efemeridade que é a vida. Vemos diariamente pessoas ambiciosas para quem é mais importante o seu estatuto do que o próximo; pessoas materialistas a quem interessa mais a qualidade dos bens dos outros do que as suas virtudes; pessoas que dão maior importância à sua vida material do que à espiritual.
Num momento perde-se a casa e todos os bens; perde-se o emprego, o cargo, o estatuto; perde-se a vida. Não digo com isto que não devemos fazer planos para o futuro, mas devemos ter noção de que o futuro pode não ser aquilo que planeamos e é mais fácil ultrapassar isso quando estamos menos dependentes da vida terrena.
Nesta época de crise, as pessoas que vejo mais felizes são aquelas que sabem valorizar aquilo que têm (é até a quem as coisas correm melhor). As mais frustradas são as que ambicionam sempre mais, que nada valorizam.
Para aqueles que sobreviveram ao sismo (ou a outras provações difíceis), a situação fê-las reflectir desta forma. É agora altura de começar de novo, mas certamente terão uma nova atitude perante a vida e os outros.
Vale a pena pensar nisto.
Num momento tudo desapareceu. Centenas de mortos, uns mais velhos, outros mais jovens, todos com uma vida pela frente.
***
O ser humano habitua-se com facilidade à durabilidade das coisas. Dos bens materiais que passam de pais para filhos; das condições de vida que acha que nunca vai perder; da vida que espera ser longa.
Estes acontecimentos revelam-nos a efemeridade que é a vida. Vemos diariamente pessoas ambiciosas para quem é mais importante o seu estatuto do que o próximo; pessoas materialistas a quem interessa mais a qualidade dos bens dos outros do que as suas virtudes; pessoas que dão maior importância à sua vida material do que à espiritual.
Num momento perde-se a casa e todos os bens; perde-se o emprego, o cargo, o estatuto; perde-se a vida. Não digo com isto que não devemos fazer planos para o futuro, mas devemos ter noção de que o futuro pode não ser aquilo que planeamos e é mais fácil ultrapassar isso quando estamos menos dependentes da vida terrena.
Nesta época de crise, as pessoas que vejo mais felizes são aquelas que sabem valorizar aquilo que têm (é até a quem as coisas correm melhor). As mais frustradas são as que ambicionam sempre mais, que nada valorizam.
Para aqueles que sobreviveram ao sismo (ou a outras provações difíceis), a situação fê-las reflectir desta forma. É agora altura de começar de novo, mas certamente terão uma nova atitude perante a vida e os outros.
Vale a pena pensar nisto.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Como a cultura é uma boa aposta

Eis um bom exemplo de como a etnografia pode ser um factor importante de desenvolvimento regional.
Os concelhos do Barroso, nomeadamente Montalegre e Boticas, têm apostado no património, principalmente etnográfico, para o seu desenvolvimento. Agora Montalegre apresenta-se como a capital do misticismo e celebra as noites das bruxas todas as Sextas-feiras 13, um evento que conta já com a participação de milhares de visitantes.
Eis uma prova de como a cultura pode ser um factor importante de desenvolvimento regional, principalmente nos concelhos do interior.
Os meus parabéns.
quinta-feira, 5 de março de 2009
A esperança e as suas condições
Como resultado da crise que afecta as economias mundiais, o ano de 2009 iniciou-se com um sentimento de incerteza relativamente ao futuro. Na verdade, uma felicidade demasiado dependente do materialismo e do consumismo resulta em sentimentos de aflição perantea diminuição dos rendimentos. Uma maior dedicação ao espírito e à reflexão permite sempre maior qualidade de vida, mais não seja pelo optimismo. Também é certo que a carga fiscal e os preços elevados não ajudam à sobrevivência de muitos, mas não são estas as questões que pretendo abordar aqui.
A par desta situação, inicia-se a governação do novo presidente americano, que tanta espectativa e esperança trouxe, já considerado por muitos como um salvador.
Quando os tempos são de crise, todos esperam algo que alimente a esperança de um futuro melhor. Obama não será, certamente, perfeito, mas só pelo optimismo que conseguiu já merece aplausos; o optimismo possibilita o empenho e o investimento, o que por si só é fundamental para o sucesso. Estou certo de que conseguirá mais, mesmo fora da América.
O que pretendo evidenciar com esta reflexão é a importância da renovação política. Quando a política dá maus resultados, é necessário inovação, na acção e nos próprios agentes. Ao recordar a história política de Portugal, reparamos que os Governos são hereditários entre os políticos, sendo que os titulares do momento fizeram já parte de outros Governos no passado. E o que temos hoje é o fruto do passado. Se, nos EUA, Obama representou um corte com a política do passado, em Portugal, em ano de Legislativas não temos como aposta de nenhum partido (com hipóteses de constituir Governo) alguém com essas condições. E é precisamente isso que os portugueses precisam para instaurar um grau de optimismo necessário para o país: um rosto novo, livre da política do passado e com uma mensagem inspiradora. Só isso bastaria para melhorar o estado de coisas.
O que se passa então?
Não é por falta de pessoas capazes, mas para que haja uma mudança é necessário um interesse maior que se sobreponha aos interesses particulares. Quando a classe política portuguesa tiver maturidade para assumir essa responsabilidade certamente que tal acontecerá.
Veremos o que acontece, mas caso nada mude até às eleições, estamos condenados a um voto em branco como o mais razoável e a um futuro incerto, cada vez mais.
A par desta situação, inicia-se a governação do novo presidente americano, que tanta espectativa e esperança trouxe, já considerado por muitos como um salvador.
Quando os tempos são de crise, todos esperam algo que alimente a esperança de um futuro melhor. Obama não será, certamente, perfeito, mas só pelo optimismo que conseguiu já merece aplausos; o optimismo possibilita o empenho e o investimento, o que por si só é fundamental para o sucesso. Estou certo de que conseguirá mais, mesmo fora da América.
O que pretendo evidenciar com esta reflexão é a importância da renovação política. Quando a política dá maus resultados, é necessário inovação, na acção e nos próprios agentes. Ao recordar a história política de Portugal, reparamos que os Governos são hereditários entre os políticos, sendo que os titulares do momento fizeram já parte de outros Governos no passado. E o que temos hoje é o fruto do passado. Se, nos EUA, Obama representou um corte com a política do passado, em Portugal, em ano de Legislativas não temos como aposta de nenhum partido (com hipóteses de constituir Governo) alguém com essas condições. E é precisamente isso que os portugueses precisam para instaurar um grau de optimismo necessário para o país: um rosto novo, livre da política do passado e com uma mensagem inspiradora. Só isso bastaria para melhorar o estado de coisas.
O que se passa então?
Não é por falta de pessoas capazes, mas para que haja uma mudança é necessário um interesse maior que se sobreponha aos interesses particulares. Quando a classe política portuguesa tiver maturidade para assumir essa responsabilidade certamente que tal acontecerá.
Veremos o que acontece, mas caso nada mude até às eleições, estamos condenados a um voto em branco como o mais razoável e a um futuro incerto, cada vez mais.
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